
O mercado de games no Brasil está acompanhando o crescimento mundial e, além disso, já figura como o maior da América Latina e o 10º do planeta. De acordo com a consultoria Newzoo, especializada em dados sobre jogos, a receita nacional dessa indústria foi de US$ 2,6 bilhões em 2023.
A princípio, a expectativa para 2025 é que o Brasil alcance US$ 3,5 bilhões, consolidando-se como uma forte potência nesse segmento. Enquanto isso, o mercado global já ultrapassou US$ 200 bilhões em 2023. Segundo previsões, até 2026, a indústria mundial de games deverá faturar acima de US$ 320 bilhões.
Crescimento dos estúdios e dos profissionais de games no Brasil
Conforme destaca a Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Digitais), outros dados reforçam o potencial do Brasil nesse setor:
- De 2014 a 2024, a quantidade de estúdios de desenvolvimento no país avançou 695% — de 150 para 1042;
- O número de profissionais na criação e produção de jogos cresceu de 1.278 em 2014 para 13.225 em 2023, o que representa um crescimento de mais de 1000%.
Fatores que impulsionaram o mercado de games brasileiro
Entre os principais motivos, a evolução da tecnologia, a pandemia de Covid-19 e a digitalização recente influenciaram diretamente no crescimento orgânico do setor no país.
Inclusive, o professor Ricardo Nakamura, da Escola Politécnica da USP, apontou em entrevista ao Jornal da USP que a distribuição digital foi essencial nesse processo. “Na medida em que grande parte dos jogos digitais é distribuída pela internet, e não mais fisicamente, que exige logística, vimos essa expansão acontecer”, explicou Nakamura.

Interesse internacional e o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos
Como resultado, empresas globais passaram a olhar com mais atenção para o Brasil. Por exemplo, a Epic Games, criadora do Fortnite, adquiriu um estúdio nacional em 2023 e instalou seu primeiro escritório da América Latina no país.
Contudo, esse avanço tende a ser ainda maior com a entrada em vigor do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos (Lei 14.852), sancionado em maio de 2024. A legislação estabelece regras claras para fabricação, importação, comercialização e uso comercial de jogos eletrônicos no país, criando um ambiente mais estável para investimentos.
Desse modo, a confiança e o estímulo ao empreendedorismo inovador no setor tendem a crescer de forma significativa.
O futuro da indústria de games no Brasil
Segundo Nakamura, pequenas e médias empresas do setor estão em franco amadurecimento, com jogos mais inovadores e projetos compactos. Ao mesmo tempo, essas empresas vêm acumulando portfólios relevantes, o que atrai atenção de parceiros internacionais.
Assim sendo, é cada vez mais comum que empresas estrangeiras contratem estúdios brasileiros para desenvolver jogos completos — ou partes deles — aproveitando a flexibilidade do trabalho remoto.
Além disso, a cultura e o jeito brasileiro, considerados elementos de soft power, também devem impulsionar o setor nacionalmente e no exterior. Segundo a vice-presidente da Abragames, Carolina Caravana, há uma tendência clara de amadurecimento nos negócios brasileiros. Rodrigo Terra, presidente da associação, completa: “Vemos um crescimento no Brasil de forma sustentável. Estamos em um momento de amadurecimento, com um setor cada vez mais profissionalizado, diferente do que era há 10, 15 anos”.

Tendências tecnológicas e expansão do público
Atualmente, o Brasil figura entre os cinco países com maior número de jogadores no mundo, segundo a Newzoo. Globalmente, o setor já conta com mais de 3,3 bilhões de jogadores.
Por conseguinte, a tendência é que esse público continue a crescer, impulsionado por avanços tecnológicos como:
- Inteligência artificial aplicada à criação de jogos, evolução de NPCs e jogabilidade;
- Mudança no consumo de games, especialmente com o uso de soluções em nuvem;
- Gráficos mais realistas, com tecnologias como o ray tracing, que simula o comportamento real da luz.
Em resumo, o Brasil não apenas acompanha as transformações globais da indústria de games, como também desponta como um polo promissor — tanto em produção quanto em consumo.
















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