Mulheres tech: Quem são, quais os feitos e as iniciativas mais importantes de grandes mulheres da área da tecnologia
Hoje é o Dia Internacional das Meninas nas Tecnologias da Comunicação e da Informação – Girls in ICT Day. A data foi instituída pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) em 2011 com o objetivo de incentivar a inclusão de mulheres nas áreas de TICs (Tecnologias da Comunicação e da Informação). A UIT é um órgão da Organização das Nações Unidas (ONU).
Um relatório recente da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais) mostrou que as mulheres ocupam apenas 39% dos empregos no setor de TIC, corroborando a importância da data e de iniciativas que encorajem mulheres a ingressar nesse mercado.
Embora a igualdade de gênero ainda seja um desafio, inclusive no setor de tecnologia, exemplos não faltam do quanto a diversidade é um pilar fundamental de empresas que desejam a inovação. E a história está aí para provar que mulher entende de tecnologia, sim. Algumas delas já se foram, mas deixaram seu legado inovador para as próximas gerações.
1. Ada Lovelace
O primeiro programa de computador da história foi criado por uma mulher em 1843. Ao traduzir um artigo de um engenheiro e matemático italiano, a britânica Ada Lovelace fez anotações que se mostraram mais extensas do que o original. Nelas, Ada fala sobre uma máquina analítica que pode ser usada para fazer algo além de cálculos e escrever um algoritmo para que a máquina pudesse processar.
Não foi possível fazer os testes na época, devido a capacidade limitada dos equipamentos, mas, anos depois, a sociedade científica reconheceu o trabalho de Ada como o primeiro algoritmo da história. Ada faleceu aos 36 anos, em 1852.
2. Grace Hopper
A inventora do termo ‘bug’, usado para designar uma falha em sistemas computacionais, desenvolveu a linguagem de programação Flow-Matic, que serviu como base para a criação do COBOL (Linguagem Comum Orientada para Negócios – usada até hoje em bancos de dados comerciais).
Vale destacar que o ‘bug’ de Grace era, de fato, um inseto que ela encontrou morto dentro de seu computador e que estava causando um problema no equipamento. Hopper, que faleceu em 1992, foi a primeira mulher a se formar na Universidade de Yale, com PhD em Matemática e a primeira almirante da Marinha dos Estados Unidos.
3. Karen Sparck Jones
A inglesa idealizou o conceito que embasa o que são hoje os sistemas de buscas de conteúdo – como o Google, por exemplo. O “inverso da frequência em documentos” recupera informações e minera de forma veloz os dados.
Karen, que faleceu em 2007, trabalhou até 2002 no laboratório de computação da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e é considerada uma das mulheres mais importantes da tecnologia.
4. Katherine Johnson
Conhecida como a cientista negra que levou o homem à lua, a extraordinária capacidade de Katherine ajudou a colocar em órbita a Apolo 11. Ela foi uma das mulheres negras que formavam uma equipe no Centro de Pesquisa Langley para calcular a trajetória dos primeiros lançamentos espaciais, operações que hoje são feitas por computadores.
Entre seus feitos, seus cálculos estabeleceram a trajetória da primeira viagem ao espaço de um americano, Alan Shepard (1961) e foram referência para a missão em que John Glenn orbitou a Terra pela primeira vez (1962). Katherine faleceu aos 101 anos, em 2020. Sua história foi retratada no filme “Estrelas além do tempo” (2016).
5. Carol Shaw
A participação de muitas mulheres tech na indústria dos videogames é hoje inspirada pela americana Carol Shaw, hoje com 69 anos. Ela foi a primeira mulher desenvolvedora de jogos. Na década de 70, Shaw trabalhava na Atari quando foi o nome por trás do lançamento do primeiro jogo criado por uma mulher: 3-D Tic-Tac-Toe.
Mais tarde, foi responsável pela programação do River Raid, um clássico que ganhou popularidade em sua época – eleito o mais desafiador por tradicionais revistas da época (1983).
6. Radia Perlman
A cientista da computação é considerada a mãe da internet (já que Tim Berners-Lee é considerado o pai). Ela criou o protocolo STP (Spanning Tree Protocol) que resolve problemas de loop em redes comutadas, garantindo que as informações trafeguem mesmo em caso de problemas com conexões existentes e provando mais do que nunca que mulheres são tech.
A americana de 72 anos foi responsável pela criação de diversos protocolos de segurança, além de ter mais de 100 patentes relacionadas a tecnologias de conexão.
7. Hedy Lamarr
A austríaca, que era atriz e inventora, criou o sistema de salto em frequência, que serviu como base para a criação de tecnologias de conexão sem fio, como Wi-Fi, GPS e Bluetooth. A intenção era guiar torpedos submarinos usando sinais de rádio.
Somente em 1997 a invenção foi reconhecida com o EFF Pioneer Award, um prêmio anual concedido pela Electronic Frontier Foundation (nos Estados Unidos) para pessoas que fizeram contribuições significativas e inovadoras na área da tecnologia da informação e comunicação. Hedy morreu em 2000.
8. Nina Silva
A brasileira Nina Silva é CEO e uma das fundadoras do Movimento Black Money – que atua com inovação, empreendedorismo e educação financeira para a população negra – e da fintech D’Black Bank. Em 2021, ela foi reconhecida pela Women in Tech Global Awards como a Mulher Mais Disruptiva do Mundo. Já recebeu mais de 20 prêmios e nomeações nacionais e internacionais e conta com mais de 100 projetos de tecnologia entregues em sua carreira. É uma das 100 pessoas afrodescendentes mais influentes do mundo abaixo dos 40 anos, segundo a Forbes.
9. Frances Allen
Foi a primeira mulher a ganhar o Turing Award – um reconhecimento a pessoas que fazem contribuições duradouras e essenciais no campo da computação. A cientista da computação, que também foi a primeira mulher a trabalhar na IBM, faleceu em 2020.
Um de seus feitos está relacionado à democratização dos computadores, colaborando para que essa tecnologia fizesse parte do dia a dia dos lares pelo mundo. Frances idealizou bases que permitem aos desenvolvedores atuais criarem sites e apps que computadores, tablets e smartphones possam entender e rodar rapidamente.
10. Cynthia Zanoni
A maior comunidade de mulheres tech da América Latina – WoMakersCode – já impactou mais de 1 milhão de desenvolvedoras. A ONG, fundada pela gaúcha Cynthia, já recebeu reconhecimento da Fundação Mozilla (2016), juntou-se ao Pacto Global das Nações Unidas no Brasil e recebeu o Selo de Igualdade Racial de São Paulo.
Atualmente, Cynthia é Global Cloud Advocate e líder do Comitê de Equidade de Gênero na Microsoft, onde sua missão é apoiar comunidades de tecnólogos na aprendizagem de novas habilidades e no avanço de suas carreiras. Entre os cursos que criou estão Black Woman Tech – voltado para pretas e pardas desempregadas que querem trabalhar com tecnologia – e Elas na IA – focado na capacitação de mulheres em fundamentos de inteligência artificial (IA) e nuvem.
















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